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20 de mar. de 2010

Dando Vazão às Vontades



Por Tarso de Souza

Pois é gente, e cá estou eu de novo com mais um texto, sobre o que acredito ser polêmico e ainda um tabu pro moralistas (como, aliás, a maior parte das coisas é tabu). Meu texto de hoje é pura e simplesmente a realização daquelas vontades sexuais secretas que as pessoas têm. Vai dizer que você, amiga, não acordou num belo dia de solteira e pensou “nossa, como eu queria um bom sexo hoje”, ou você, meu brother, que fico lá, se matando na punheta quando na verdade queria apenas um sexo de qualidade.

É gente, que sexo é bom, todo mundo sabe, que deve ser bom pros dois, também se sabe... e o quê se faz quando se está sozinho ou solteiro? Você se acaba na masturbação? É uma alternativa... mas todo mundo sabe que não se compara à presença do outro, ao carinho de antes e depois do sexo, não tem o cheiro, não tem o contato do outro... e pelo menos EU considero isso uma merda.

Pois bem, voltando à minha narrativa... já tem um bom tempo que meu último namoro terminou (Oi, quê? Um mês de namoro, e nem sexo teve, isso conta?), e eu, conversando com várias pessoas interessantes, mas até então, nada de concreto, um ou outro cinema, uma ficada ocasional, nada de cruzar o limite das roupas... pois bem aí, na grande janela do MSN da vida, eu continuava conversando com um certo amigo especial, por quem eu babo horrores, e ele me chama pra ir pra casa dele, a gente ouvir música, conversar.

Até então, era só isso mesmo, e meu radar de sexo apita “por que quando você chegar lá, não dá em cima dele e vocês se pegam? Pode até rolar um sexo no primeiro encontro...” Mas espera lá, sexo no primeiro encontro? Isso não faz de mim um oportunista e dele um oferecido?
Baseado nos critérios de quem isso dá atribuições negativas? De uma sociedade misógina e machista? Meio paradoxal né? De uma sociedade que preza o envolvimento romântico e a comunhão do casal e.... PODE PARAR!

Tem horas que a gente não quer romantismo, a gente quer sexo mesmo; pura e simplesmente. Claro que, com envolvimento é muito melhor, tem mais cumplicidade... mas quem disse que sexo avulso é ruim? É bom do mesmo jeito... e ainda sem a preocupação de enjoar! [risos] okz, brincadeira gente, como alguém que já levou um relacionamento estável, eu sei que dá pra quebrar a rotina e a gente não enjoa...

Mas raciocinem comigo, não é uma verdade que, às vezes, em vez de todo o ritual de cortejar, sair pro cinema, jantar, e depois esticar a noite, a gente pode simplesmente pular o que vem antes e emendar a tarde e a noite de uma forma muito gostosa.

Pois bem, com várias coisas em mente (sobretudo a minha vontade de ficar com ele), lá fui eu... e a gente conversou, riu, dançou, no apartamento vazio, só nós dois. Eu fiz uma massagem nele, a gente conversou mais, se beijou, e rolou, pura e simplesmente.

E FOI ÓTIMO.

Então, como a maior parte das coisas da vida, sexo simplesmente acontece, não tem que ser complicado, mágico, científico ou moralista. Sexo é sexo. É bom; querendo ou não, nossos pais fizeram, temos que conviver com isso. Nossas mães chiam quando descobrem que já fizemos (meninas), nossos pais nos apressam para fazermos (meninos). Todo mundo faz, a maior parte das pessoas gosta e tem vergonha de admitir.

Então, fica a dica, praquele sabadão que vc acordou CHEIO de vontade, pra ficar remoendo culpa de “ah, quero sexo, mas não sei como chegar no fulano que me dá mole”... simplesmente chega, mostra que você é bem resolvido, façam alguma coisa e deixem rolar tranqüilo. Se vão ficar, se amassar, transar ou qualquer outra coisa, é de vocês, mas sempre com responsabilidade, e notando a diferença de SEXO e relação. Não é porque você amiga, deu praquele homem saradão que você sempre foi a fim que vocês estão juntos. Foi apenas sexo. Bons momentos que vocês dois curtiram, e podem vir a repetir um dia qualquer.

Dizem as boas línguas que às vezes surgem relacionamentos muito bons de situações como essa, na pior das hipóteses, sua vontade passou, e você sabe que, se tiver vontade de novo, já sabe como resolver. Sem moralismo.

De resto, aproveitem BASTANTE, meninas e meninos, mas não se esqueçam da camisinha hein? E aproveitem as de diversos sabores, a que prolonga a ereção, aquelas que esquentam e esfriam, aquelas com formatos especiais... [risos] deixa eu parar porque senão, eu me empolgo...

Beijos!



Tarso de Souza é um professor do Ensino Fundamental EJA (Educação de Jovens e Adultos) de uma Escola Estadual em Duque de Caxias, onde mora. Em seu blog Requiem Para Os Sonhos Despedaçados, ele mostra um pouco sobre as coisas que acontecem na sua vida e agora aqui no "Aleatoriamente, Rom", falando um pouco sobre a noite carioca em suas nuances mais intimas.

21 de fev. de 2010

Espelho, espelho meu

Por Tarso de Souza


Não, não é conto de fadas, mas é assim que começa o meu post pro Aleatoriamente Rom . Muito prazer, eu sou o Tarso, 25 anos, professor, nerd nas horas vagas e eventual vagabundo de internet.

Não, não tenho a mínima pretensão de ser cronologicamente exato ou relevante aqui, visto que isso seria contar muita coisa desnecessária, vou me ater a coisas significativas que acontecem/aconteceram comigo ou com pessoas próximas a mim, e que de alguma forma, mudaram minha forma de pensar, ou provocaram alguma reflexão (válida).
Então, sem mais me alongar, vamos ao assunto!

Sou MAGRO, tenho plena consciência disso. Culpa da intolerância alimentar, genética, seja lá o que for. É um martírio, acreditem... porque, se as mulheres acham que ser gordo é problema, ser magro e não conseguir engordar é tão ruim quanto.

Um ano de academia, cinco meses de suplemento recomendado pela nutricionista, e eu engordei o quê? 6 quilos? Seria ótimo se eu não pesasse 50 kg antes.... e quem é que presta atenção em pessoas com cara de criança e corpo minguado? Pois é, na balada é um tormento! Ninguém chega junto, só os exus (nada contra os feios hein? Até porque eu não sou dos melhores... mas pera lá né?)

Olha aí, saí do assunto. Pois bem: Nunca fui fã de ficar me olhando no espelho... o que é HORRÍVEL, porque minha mãe cismou de colocar um espelho ENORME no banheiro, e eu tenho que: ou tomar banho de olhos fechados, ou ficar vendo meu corpinho magrelo; e quando eu saía, abusava da combinação de cores e sobreposições casaco + blusa, porque disfarçam bem, ou pelo menos aparentam disfarçar.

Aí, mês passado me deu alokíssima e eu decidi tatuar as costas. Amei o desenho, todos pra quem eu mostrei adoraram e começaram a perguntar “Vai começar a andar sem camisa agora? Pra mostrar?”

JAMAIS! Pelamordedeus né? Andar sem camisa só se for pra mostrar alguma coisa que valha à pena ser mostrada!

Mas fato que muita gente tem comentado que eu estou com o rosto mais cheinho, a barriga começou a ficar definidinha, e quando postei fotos da tatuagem como avatar do MSN, as pessoas “MEU DEUS, QUE COSTAS LARGAS!” eu meio que desconfiei que fosse zoação.

O teste foi na sexta-feira, fui com um amigo pro Cine Ideal, uma boate aqui do Rio de Janeiro, porque a Lorena Simpson ia fazer show. Não conhece? Google it! Mas então... UM CALOR... fiquei uma hora na fila VIP pra poder entrar, chegando lá, vira-vira de Hi-Fi, Cuba Libre e outras coisas alcoólicas (podem me chamar de bebum depois) e a música eletrônica tocando, o calor subindo (não, ainda não estava bêbado, nem fiquei), um menino muito bonitinho me olhando, passando por mim direto e eu na minha, droga, sou magro, tenho cabelo prateado, será que ele está me dando mole ou está pensando “nossa, como ele é magro!”, e eu NUNCA cheguei em ninguém na vida... mas era hora do vamos ver né? Quando ele passou de novo por mim eu o segurei pela mão e fiz a pergunta, ele riu, e ficamos a noite toda.

E o calor subindo, até que eu olhei pros lados, cheio de caras saradões, sem camisa, e eu com meu corpo franzino e, quer saber? Chega de ter pena de mim mesmo, chega de sentir vergonha pelas coisas que eu não tenho e começar a sentir orgulho do que é meu! Tirei a camisa. As pessoas elogiaram a tatuagem, as minhas costas, a barriga que começa a apresentar gominhos, mas eu nem ligo pras pessoas, eu estava acompanhado então, e ele disse “nossa, você é um magro definidinho, queria ser assim, eu sou um magro feio”

E acertou em cheio em mim. Até então, eu tinha plena consciência de que existem pessoas desconfortáveis com o fato de serem magras, mas não conhecia nenhuma. Abracei-o pela cintura e disse no ouvido dele “Eu não acho. E não é um flerte. Acho que você tem que gostar de si mesmo do jeito como é”

AHH!! QUE LINDO NÉ? Parece hipócrita? Até parece. Mas o que não gostamos de nós mesmos, temos plena liberdade de tentar mudar, de forma saudável e responsável. Nesse um ano de academia, com altos e baixos, xingando o professor pela minha série pesada, reclamando com a nutricionista pela dieta, me regulando pra comer a cada 3 horas, eu tenho feito o possível pra me sentir bem comigo mesmo, e acho que isso finalmente chegou.

Eu ainda quero ficar mais definido e mais fortinho... todo mundo pode melhorar, um corte novo de cabelo, mais abdominais pra queimar os pneuzinhos, uns pesinhos pros braços não parecerem gravetos, uma bicicleta pras perninhas saradas... nem que seja uma caminhada e subir escada. Isso todo mundo pode fazer. Nós somos os maiores interessados e os nossos maiores aliados na tentativa de nos sentirmos bem, só que na maior parte das vezes, desanimamos.

A noite acabou, trocamos telefone. Eu, que fui Marilyn Monroe pra boate voltei Marilyn Manson, devastado. Cheguei em casa, peguei o pijama, fui pro banheiro tomar banho. E o bendito espelho estava lá, mostrando minhas olheiras de sono, a testa com suor. Mas por algum motivo, eu não olhei pra nada disso, não pensei em nada que me aborrecesse ou me deixasse pra baixo. Aquele espelho não precisava ser meu inimigo, ele podia me mostrar as áreas onde eu preciso melhorar sim, mas ele também me mostra tudo o que já melhorou em mim.

Não quero dar uma da Madrasta Má, “espelho, espelho meu, existe alguém neste reino mais bela do que eu?”. Não quero um troféu de Miss ou de Mister, quero me sentir bem comigo mesmo... e isso depende exclusivamente de mim.

E com essa nova verdade e convicção na vida, o banho foi muito mais relaxante, e eu deitei na cama e dormi PESADO.

Agora, como nós encaramos nossos espelhos, depende unicamente de nós. Podemos ver sim, que existem pessoas mais bonitas. Podemos ver que existem pessoas mais feias. Podemos nos ver como realmente somos. Podemos nos ver como queremos ser. E vocês, como se vêem nos seus espelhos?



Tarso de Souza é um professor do Ensino Fundamental EJA (Educação de Jovens e Adultos) de uma Escola Estadual em Duque de Caxias, onde mora. Em seu blog Requiem Para Os Sonhos Despedaçados, ele mostra um pouco sobre as coisas que acontecem na sua vida e agora aqui no "Aleatoriamente, Rom", falando um pouco sobre a noite carioca em suas nuances mais intimas.